Ficha rápida
| Nome popular | Uruçu-amarela |
|---|---|
| Nome científico | Melipona flavolineata |
| Tamanho | 10 a 11 mm |
| Distribuição | Pará, Maranhão e Tocantins, com registro incerto no Ceará |
| Temperamento | Mansa: sem ferrão funcional |
| Captura em isca | baixa |
Como identificar
A Melipona flavolineata é uma Melipona grande, com linhas amareladas no abdômen, característica que aparece no nome científico (flavolineata, “com linhas amarelas”). A entrada da colônia é estreita, de barro ou geoprópolis, com passagem para uma abelha por vez.

Registro de uruçu-amarela publicado no iNaturalist por Carlos Alexandre Mattos Raposo.
Pelo levantamento de Pedro (2014), a espécie é endêmica do Brasil e tem registro no Pará, no Maranhão e no Tocantins, com registro incerto no Ceará. Ela divide o nome popular com a uruçu-amarela do Cerrado (Melipona rufiventris), e o nome científico é a única forma segura de distinguir as duas na compra de colônias.
O ninho
A espécie ocupa ocos de árvores. O ninho tem discos de cria horizontais envoltos por invólucro de cerume, potes de alimento grandes e batume delimitando a cavidade. As rainhas nascem de células do mesmo tamanho das operárias, padrão do gênero Melipona.
Caixa para uruçu-amarela do Norte
A Embrapa Amazônia Oriental publicou em 2008 o Comunicado Técnico 212, de Giorgio Venturieri, com um modelo de caixa desenvolvido para a Melipona flavolineata. O mesmo pesquisador é autor do manual “Criação de abelhas indígenas sem ferrão”, da Embrapa Amazônia Oriental. Para quem cria a espécie, essas são as referências técnicas principais.
Na instalação, siga o padrão geral: caixa a cerca de 0,5 metro do chão, em cavalete com protetor contra formigas, em local sombreado, com distância de até 3 metros entre caixas.
O mel
O mel é líquido e ácido, com sabor ligado à florada amazônica. A produção depende da florada, da força da colônia e do manejo. Colha só potes fechados, com seringa, e mantenha o mel refrigerado ou desumidificado, porque o clima úmido favorece a fermentação.
Como obter colônias
A captura em iscas pequenas é rara. Compre colônias de produtores cadastrados ou deixe uma caixa-isca de madeira com cheiro de ninho perto do meliponário.
Como e quando dividir
Divida só colônias fortes, na florada, levando discos de cria nova e nascente, potes de alimento e cerume para a caixa nova, que ocupa o lugar de uma das colônias antigas.
Pragas e problemas
Forídeos, formigas e a mosca Hermetia illucens atacam colônias fracas. Na região amazônica, criadores relatam ataques frequentes de abelhas do gênero Lestrimelitta, a abelha-limão, principalmente a colmeias de Apis mellifera.
Referências
- Venturieri, G. C. (2008). Caixa para criação de uruçu-amarela Melipona flavolineata Friese, 1900. Comunicado Técnico 212. Embrapa Amazônia Oriental.
- Venturieri, G. C. (2008). Criação de abelhas indígenas sem ferrão. Belém: Embrapa Amazônia Oriental.
- Pedro, S. R. M. (2014). The Stingless Bee Fauna in Brazil. Sociobiology, 61(4). Tabela em List of stingless bees of Brazil.
- Rech, A. R. et al. (2013). Abelhas-sem-ferrão amazônicas defendem meliponários contra saques de outras abelhas. Acta Amazonica, 43(3).
Dúvidas frequentes
A uruçu-amarela do Pará é a mesma do Cerrado?
Não. A do Pará, Maranhão e Tocantins é a Melipona flavolineata. A do Cerrado e do Sudeste é a Melipona rufiventris, também chamada de tujuba.
Existe caixa específica para essa espécie?
Sim. A Embrapa Amazônia Oriental publicou em 2008 o Comunicado Técnico 212, com um modelo de caixa para criação de uruçu-amarela Melipona flavolineata.
Posso criar a uruçu-amarela do Norte no Sudeste?
Não é recomendado. A orientação técnica é criar espécies que ocorrem naturalmente na região.
Créditos das imagens
- Carlos Alexandre Mattos Raposo · CC BY
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