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Abelha mandaçaia: como identificar, caixa, mel e manejo

A mandaçaia é uma das abelhas do gênero Melipona mais criadas no Sul e no Sudeste. Aqui estão identificação, ninho, caixa, mel, captura e divisão.

Atualizado em 21/09/2026Leitura de 5 min

Como esta página foi escrita: com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas no fim da página. Meliponicultura muda muito de região pra região: trate medidas, prazos e produção como ponto de partida, e confira com a sua experiência de campo. Achou algo errado? Avise a gente.

Resposta curta: a mandaçaia (Melipona quadrifasciata) é uma abelha sem ferrão de porte médio a grande, com listras amarelas no abdômen e corpo peludo. É mansa, ocorre principalmente no Sul e no Sudeste e costuma produzir de 1 a 2 litros de mel por colônia ao ano em boas condições.

Ficha rápida

Nome popularMandaçaia, mandaçaia-grande, amanaçaí
Nome científicoMelipona quadrifasciata
Tamanho9 a 11 mm
DistribuiçãoSul e Sudeste do Brasil, com registros em Mato Grosso do Sul e Espírito Santo
TemperamentoMansa: sem ferrão funcional, pouco defensiva no manejo
Mel1 a 2 L/ano por colônia forte
Captura em iscamédia
Sobre os números: produção e população variam muito com região, floração e manejo. Trate as faixas como ordem de grandeza, não como meta — e compare sempre com o histórico das suas próprias colônias.

Como identificar

A mandaçaia é uma abelha robusta, um pouco mais curta que a abelha europeia, com o corpo coberto de pelos e o abdômen marcado por faixas amarelas transversais. O nome científico, quadrifasciata, vem justamente dessas faixas. É uma das espécies mais conhecidas do gênero Melipona, que reúne abelhas sem ferrão de porte maior.

A entrada da colônia é pequena, com espaço para passar uma abelha por vez, e costuma ser feita de barro ou geoprópolis, com estrias ao redor do orifício. Uma operária fica de guarda na entrada, o que ajuda a distinguir a mandaçaia de espécies menores, que mantêm grupos de guardas.

Abelha mandaçaia (Melipona quadrifasciata) registrada em campo

Registro de mandaçaia publicado no iNaturalist; as faixas amarelas do abdômen são a principal marca visual da espécie.

É importante não confundir a mandaçaia do Sul e do Sudeste com a mandaçaia-menor (Melipona mandacaia), que ocorre na Caatinga, associada ao Rio São Francisco e seus afluentes. As duas recebem o mesmo nome popular em muitas regiões, mas são espécies diferentes, com exigências diferentes de clima e florada.

O ninho

Na natureza, a mandaçaia ocupa ocos de árvores. As colônias são menos populosas que as de espécies pequenas como a jataí, e as operárias constroem discos de cria horizontais no centro do ninho, envoltos por invólucro de cerume. Os potes de alimento ficam ao redor da área de cria e, como a abelha é grande, os potes também são grandes.

Em volta do ninho, as abelhas constroem o batume, uma estrutura porosa de barro, resina e cerume que veda frestas e delimita o espaço ocupado. Na caixa racional, o batume aparece nas bordas e no fundo, e retirar o excesso faz parte da revisão.

No gênero Melipona, as rainhas nascem de células do mesmo tamanho das operárias. Não há células reais maiores, como na jataí, e parte da cria nascida em cada disco já sai como rainha virgem. Isso muda a forma de fazer a divisão.

Caixa para mandaçaia

A recomendação geral da Embrapa é trabalhar com caixas modulares, com fundo, ninho, sobreninho, melgueira e tampa, para ajustar o espaço à fase da colônia. O modelo INPA é um dos mais usados para abelhas do gênero Melipona, e a mandaçaia se adapta bem a ele.

Como é uma abelha grande, a distância entre caixas no meliponário deve ser maior que a usada para espécies pequenas, chegando a até 3 metros conforme o espaço e o comportamento das colônias. A caixa fica a cerca de 0,5 metro do chão, em cavalete com protetor contra formigas, em local sombreado e protegido do vento. A mandaçaia é sensível a extremos de temperatura e umidade, então sombra no verão e proteção contra frio intenso no inverno fazem diferença no Sul.

O mel

O mel da mandaçaia é líquido, mais ácido que o de Apis mellifera e com aroma que varia conforme a florada. Em boas condições, uma colônia produz cerca de 1 a 2 litros por ano. Criadores relatam produções maiores em anos de florada farta, mas a média da espécie fica nessa faixa.

A colheita deve ser feita com seringa ou bomba de sucção, só em potes fechados. Um líquido muito claro e ralo nos potes ainda é néctar e não deve ser misturado ao mel. Como o teor de água é alto, o mel precisa de refrigeração ou desumidificação para não fermentar.

Como capturar com isca

A mandaçaia é capturada com menos frequência que a jataí, mas a captura é possível na época de enxameação. Para ela, recomenda-se isca de garrafa PET de 3 litros ou mais, já que o ninho é maior. Uma caixa-isca de madeira que já tenha abrigado colônia do gênero Melipona costuma ser ainda mais atrativa, pelo cheiro de ninho.

O atrativo é o mesmo usado para outras espécies: álcool com própolis e cerume, de preferência retirados de uma colônia de mandaçaia. A isca deve ficar em local sombreado, perto de água e de mata com ninhos naturais, entre 0,5 e 1,5 metro de altura. Depois da captura, espere cerca de 30 dias antes da transferência para a caixa definitiva.

Se o objetivo é começar a criação, a forma mais segura para a mandaçaia é comprar colônias de produtores cadastrados, que é um dos meios previstos pelas normas ambientais junto com a captura por ninho-isca e a divisão de colônias próprias.

Como e quando dividir

Divida só colônias fortes, com vários discos de cria e potes cheios, na época de florada. Na divisão, discos de cria nova e nascente, potes de alimento e cerume vão para a caixa nova, que deve ser colocada no lugar de uma das colônias antigas para receber as campeiras que retornam.

Como as rainhas de Melipona nascem dos próprios discos de cria, levar discos com cria nascente aumenta a chance de a nova colônia ter rainhas virgens disponíveis. Confirme também que há machos voando na região, para que a rainha seja fecundada. Depois da divisão, vede as frestas com fita crepe e forneça alimento se a florada estiver fraca.

No Beeya, cada divisão fica registrada na genealogia, com o método usado, o acompanhamento pós-divisão e o aviso de consanguinidade quando as duas colônias têm a mesma origem.

Pragas e problemas

Forídeos são o principal problema: pequenas moscas atraídas pelo cheiro de pólen fermentado, que põem ovos em potes de pólen e favos de cria. Colônias fortes se defendem melhor, e a prevenção passa por não danificar potes durante o manejo e retirar potes de pólen abertos. Armadilhas com vinagre dentro da caixa ajudam no controle.

Formigas e a mosca Hermetia illucens atacam principalmente colônias fracas. Evite também manter mandaçaias próximas de espécies saqueadoras, como abelhas-limão e abelhas do gênero Scaptotrigona, que podem invadir colônias fracas para roubar alimento.

Referências

Dúvidas frequentes

A mandaçaia ferroa?

Não. Como todas as abelhas sem ferrão, tem o ferrão atrofiado. É considerada uma espécie mansa, fácil de manejar.

Quanto mel a mandaçaia produz?

Em boas condições, cerca de 1 a 2 litros por colônia ao ano. O número varia bastante com a florada, a força da colônia e a região.

Mandaçaia e mandaçaia-menor são a mesma abelha?

Não. A mandaçaia do Sul e Sudeste é a Melipona quadrifasciata. A mandaçaia-menor, da Caatinga, é a Melipona mandacaia, que ocorre em estados do Nordeste como Bahia, Pernambuco e Piauí.

Posso criar mandaçaia fora da região de origem?

Não é recomendado. A Embrapa orienta criar espécies que ocorrem naturalmente na região, e alguns estados proíbem a introdução de abelhas sem ferrão de fora.

Créditos das imagens

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