Ficha rápida
| Nome popular | Iraí |
|---|---|
| Nome científico | Nannotrigona testaceicornis |
| Tamanho | 4 a 5 mm |
| Distribuição | Sudeste e Sul do Brasil, com registros em outras regiões |
| Temperamento | Mansa: sem ferrão funcional, pouco reativa ao manejo |
| Captura em isca | alta |
Como identificar
A iraí é uma abelha pequena, de 4 a 5 mm, com o corpo escuro e as antenas de tom amarelado a alaranjado na base, característica que aparece no nome científico testaceicornis (“antenas cor de tijolo”). À distância, pode ser confundida com outras abelhas pequenas e escuras, e a entrada da colônia é o melhor ponto de identificação.

Registro de iraí publicado no iNaturalist, usado como referência visual da espécie.
A entrada externa é curta, de cerume, e se liga a um tubo interno que avança para dentro do ninho. Esse tubo interno aparece em registros da Embrapa como um detalhe característico da espécie e ajuda na defesa, porque obriga qualquer invasor a percorrer um corredor estreito até a área de cria.
O ninho
Na natureza, a iraí ocupa cavidades pequenas: ocos em galhos e troncos, frestas em muros e outros espaços protegidos. Por isso aparece com frequência em ambiente urbano e periurbano, parecido com o que acontece com a jataí.
O ninho tem discos de cria horizontais no centro, envoltos por invólucro de cerume, e potes de alimento pequenos ao redor. A colônia tem uma rainha poedeira e as rainhas nascem de células reais maiores, construídas na borda dos discos. A população é pequena quando comparada à de espécies do gênero Scaptotrigona.
Caixa para iraí
A Embrapa recomenda caixas modulares, com fundo, ninho, sobreninho, melgueira e tampa. Para a iraí, os módulos são pequenos, próximos aos usados para jataí, porque uma caixa grande demais dificulta o controle de temperatura e a defesa da colônia.
A caixa fica a cerca de 0,5 metro do chão, em cavalete com protetor contra formigas, em local sombreado e protegido do vento. Para abelhas pequenas, a distância entre caixas pode ser de cerca de 0,5 metro. Nos períodos de escassez, reduza o espaço disponível retirando melgueiras, para a colônia manter a temperatura e se defender melhor.
O mel
A produção de mel da iraí é pequena, reflexo do tamanho da colônia. A regra geral vale aqui: quanto menor a abelha e o ninho, menor a produção. O mel tem as características comuns das abelhas sem ferrão, mais ácido e mais úmido que o de Apis mellifera, e precisa de refrigeração ou desumidificação para não fermentar.
Quem cria iraí costuma ter outros objetivos além do mel: aprender manejo com uma espécie mansa, polinizar pomares e hortas, ou manter uma espécie nativa da região. Para esses objetivos, a iraí é uma boa escolha.
Como capturar com isca
A iraí aparece com frequência em ninhos-isca, principalmente nos mesmos locais em que se captura jataí. Como a colônia é pequena, a isca de garrafa PET de 1,5 a 2 litros funciona bem, e caixas de leite do tipo Tetra Pak também servem.
O preparo é o padrão: recipiente escuro, isolado com jornal ou papelão, coberto com saco plástico preto, com atrativo de álcool, própolis e cerume passado por dentro. Na boca da isca, um pedaço curto de mangueira ou cano estreito ajuda a simular a entrada de um ninho natural. Instale em local sombreado, entre 0,5 e 1,5 metro de altura, perto de água e de florada, e aguarde cerca de 30 dias depois da captura antes de transferir para a caixa.
Como e quando dividir
Divida só colônias fortes, com vários discos de cria e potes cheios, na época de florada. Como a colônia é pequena, a divisão da iraí exige mais cuidado para não deixar as duas partes fracas demais. Leve para a caixa nova discos de cria nova e nascente, potes de alimento e cerume, e coloque a caixa nova no lugar de uma das colônias antigas.
Confira se os discos levados têm células reais, já que a rainha nova nasce delas, e se há machos voando na região. Depois da divisão, vede frestas com fita crepe e ofereça alimento se a florada estiver fraca. O xarope mais usado é feito com 1 litro de água e 1 quilo de açúcar, oferecido em quantidade que a colônia consuma em até 24 horas.
Pragas e problemas
Colônias pequenas são mais vulneráveis a forídeos e formigas. Manter a colônia forte, não danificar potes de pólen no manejo e usar protetor no cavalete são as medidas principais. Armadilhas de vinagre dentro da caixa ajudam a controlar forídeos.
A iraí também sofre com saque de abelhas-limão e com invasões de espécies mais fortes, como abelhas do gênero Scaptotrigona. Evite instalar colônias de iraí ao lado dessas espécies e prefira meliponários com uma única espécie ou com espécies de porte e comportamento parecidos.
Referências
- Embrapa Meio-Norte. Criação de abelhas-sem-ferrão. Pereira, F. M.; Souza, B. A.; Lopes, M. T. R.
- Abelhas Nativas. Como fazer isca pet para captura de abelhas sem ferrão.
- Portal Agropecuário. Como capturar abelhas nativas sem ferrão com garrafa pet.
Dúvidas frequentes
A iraí ferroa?
Não. Tem o ferrão atrofiado e é considerada mansa, o que facilita o manejo para iniciantes.
A iraí produz muito mel?
Não. As colônias são pequenas e a produção de mel é baixa. Ela é criada principalmente pelo manejo simples, pela polinização e pelo interesse de conservação.
Como diferenciar iraí de jataí?
A jataí é amarelo-dourada e tem entrada em tubo de cera clara com soldados pairando no ar. A iraí é mais escura e tem entrada curta, que continua em um tubo interno dentro do ninho.
Qual isca usar para iraí?
Garrafas PET de 1,5 a 2 litros e caixas de leite do tipo Tetra Pak funcionam bem, porque a colônia é pequena.
Créditos das imagens
- Carlos Alexandre Mattos Raposo · CC BY-SA
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