Ficha rápida
| Nome popular | Mirim, abelha-mosquito, mosquitinho |
|---|---|
| Nome científico | Plebeia spp. |
| Tamanho | 3 a 5 mm |
| Distribuição | Todo o Brasil, com espécies diferentes em cada região |
| Temperamento | Mansa: sem ferrão funcional, colônias pouco reativas |
| Captura em isca | alta |
Como identificar
Mirins são abelhas muito pequenas, em geral escuras, com marcas amareladas no rosto ou no tórax conforme a espécie. Voam rente à entrada da colônia e, pelo tamanho, costumam ser confundidas com mosquitos, o que explica o nome abelha-mosquito usado em várias regiões. A Embrapa usa o nome abelha-mosquito para ilustrar colônias de Plebeia em material técnico.

Plebeia emerina, uma das mirins do Sul e de São Paulo, em registro publicado no iNaturalist.
A entrada da colônia é pequena, feita de cerume ou resina, sem o tubo longo da jataí. Como várias espécies de Plebeia ocorrem na mesma região e são muito parecidas, a identificação exata costuma exigir lupa ou apoio de especialista. Para o manejo, as espécies do grupo se comportam de forma semelhante.
O ninho
As mirins ocupam cavidades estreitas: ocos em galhos finos, frestas em muros, mourões de cerca e pequenos espaços em construções. Dentro da cavidade, constroem discos de cria envolvidos por invólucro de cerume, com potes pequenos de mel e pólen ao redor.
As colônias são pequenas. Por isso, perdem temperatura com facilidade e se defendem mal quando o espaço é grande demais, o que orienta tanto a escolha da caixa quanto a da isca.
Espécies com página própria
Duas espécies do grupo têm busca própria e manejo com particularidades. A mirim-guaçu (Plebeia remota) é uma das maiores do gênero e ocorre do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul. A mirim-droryana (Plebeia droryana) é menor e tem distribuição mais ampla, da Bahia ao Rio Grande do Sul, com registros no Pará e em Pernambuco.
Outra abelha muito pequena às vezes chamada de mirim é a lambe-olhos, do gênero Leurotrigona, que fica fora do gênero Plebeia.
Caixa para mirim
A recomendação geral da Embrapa é trabalhar com caixas modulares, que permitem ajustar o espaço ao tamanho da colônia. Para mirins, os módulos precisam ser pequenos, menores que os da jataí. Muitos criadores usam caixas compactas específicas para o grupo.
A caixa fica a cerca de 0,5 metro do chão, em cavalete com protetor contra formigas, em local sombreado. Para abelhas pequenas, a distância entre caixas pode ser de cerca de 0,5 metro. Em períodos de escassez, reduza o espaço interno para ajudar a colônia a manter a temperatura.
O mel
A regra geral vale para o grupo: quanto menor a abelha e o ninho, menor a produção de mel. As mirins produzem pouco, e a colheita raramente justifica abrir os potes. O mel, quando colhido, precisa de refrigeração ou desumidificação, como o das outras abelhas sem ferrão.
Como capturar com isca
Mirins estão entre as abelhas mais fáceis de capturar. Meliponicultores relatam capturas em iscas de 500 ml e indicam caixas de leite para o grupo. A isca Tetra Pak e a garrafa PET pequena são as opções mais usadas, com atrativo de álcool, própolis e cerume por dentro.
Instale em local sombreado, entre 0,5 e 1,5 metro de altura, perto de água, de florada e de ninhos naturais, na época de enxameação. Aguarde cerca de 30 dias depois da captura antes de transferir.
Como e quando dividir
A divisão de mirins exige cuidado, porque colônias pequenas ficam fracas com facilidade. Divida só colônias fortes, na época de florada, levando discos de cria nova e nascente, potes de alimento e cerume. Nas Plebeia, as rainhas nascem de células reais maiores, então confira se os discos levados têm células reais.
Pragas e problemas
Colônias pequenas sofrem mais com forídeos, formigas e saque de outras abelhas. Mantenha frestas vedadas, use protetor no cavalete e evite instalar mirins ao lado de espécies saqueadoras, como a abelha-limão e abelhas do gênero Scaptotrigona.
Referências
- Pedro, S. R. M. (2014). The Stingless Bee Fauna in Brazil. Sociobiology, 61(4), 348-354. Tabela resumida em List of stingless bees of Brazil.
- Embrapa Meio-Norte. Criação de abelhas-sem-ferrão.
- MELIPOsys. Como fazer isca pet para abelhas sem ferrão.
- Meliponário Mambuca. Aproveite a melhor época para captura de abelhas sem ferrão.
Dúvidas frequentes
Mirim é uma espécie só?
Não. O nome é usado para várias espécies pequenas, a maioria do gênero Plebeia. As mais criadas no Sul e Sudeste são a mirim-guaçu (Plebeia remota) e a mirim-droryana (Plebeia droryana).
Qual isca usar para mirim?
Recipientes pequenos: caixas de leite do tipo Tetra Pak ou garrafas de 500 ml a 1,5 litro. Iscas grandes demais são pouco ocupadas por espécies de colônia pequena.
A mirim produz mel?
Produz, mas em quantidade muito pequena. Quem cria mirins costuma buscar manejo simples, polinização e conservação.
Créditos das imagens
- Reinaldo Oliveira Elias · CC BY
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