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Abelha tubuna: como identificar, caixa, isca e manejo

A tubuna, também chamada de canudo, é uma abelha sem ferrão escura e defensiva, comum do Nordeste ao Sul. Aqui estão identificação, ninho, caixa, captura e os cuidados que ela exige no meliponário.

Atualizado em 21/09/2026Leitura de 4 min

Como esta página foi escrita: com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas no fim da página. Meliponicultura muda muito de região pra região: trate medidas, prazos e produção como ponto de partida, e confira com a sua experiência de campo. Achou algo errado? Avise a gente.

Resposta curta: a tubuna (Scaptotrigona bipunctata) é uma abelha sem ferrão preta, de porte pequeno a médio, com entrada em forma de canudo ou trompete. Não ferroa, mas é defensiva e morde quando a colônia é aberta. Captura bem em iscas grandes e deve ficar longe de espécies mais frágeis, porque pode saquear colônias fracas.

Ficha rápida

Nome popularTubuna, canudo, tapesuá
Nome científicoScaptotrigona bipunctata
Tamanho5 a 7 mm
DistribuiçãoDo Nordeste ao Sul do Brasil, com registros no Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
TemperamentoDefensiva: não ferroa, mas morde e se prende ao cabelo
Captura em iscamédia
Sobre os números: produção e população variam muito com região, floração e manejo. Trate as faixas como ordem de grandeza, não como meta — e compare sempre com o histórico das suas próprias colônias.

Como identificar

A tubuna é uma abelha escura, quase preta, de porte pequeno a médio. O sinal mais claro da espécie, e de todo o gênero Scaptotrigona, é a entrada da colônia: um tubo de cerume que se abre na ponta como um trompete ou canudo, o que explica o nome popular “canudo” usado em várias regiões. Em colônias fortes, a boca desse tubo fica tomada de operárias.

Abelha tubuna (Scaptotrigona bipunctata) registrada em campo

Registro de tubuna publicado no iNaturalist; o corpo escuro é típico das abelhas do gênero Scaptotrigona.

O comportamento também ajuda a identificar. Quando a colônia é incomodada, as operárias saem em grande número, voam em direção à cabeça de quem está perto, mordem e se enroscam nos cabelos. A mordida não tem gravidade, mas torna o manejo menos confortável que o de espécies mansas como a mandaçaia.

O ninho

Na natureza, a tubuna ocupa ocos de árvores e outras cavidades, construindo um ninho com discos de cria horizontais no centro, envolvidos por invólucro de cerume, e potes de alimento ao redor. As colônias do gênero Scaptotrigona costumam ser populosas, o que dá força para defender a entrada e para expandir o ninho rapidamente quando há florada.

Nesse gênero, as rainhas nascem de células reais maiores, e a colônia tem uma única rainha poedeira. A força populacional é uma vantagem na produção e na defesa, e também explica por que colônias de Scaptotrigona às vezes invadem colônias vizinhas mais fracas quando precisam se dividir.

Caixa para tubuna

A recomendação geral da Embrapa vale para a tubuna: caixa modular, com fundo, ninho, sobreninho, melgueira e tampa, permitindo aumentar o espaço na florada e reduzir na escassez. Como as colônias são populosas, a caixa precisa de volume de ninho compatível, maior que o usado para jataí.

O ponto mais importante na instalação é a localização. A Embrapa cita abelhas do gênero Scaptotrigona, como tubi e canudo, entre as espécies que mais invadem colônias de outras abelhas, e recomenda que meliponários dessas espécies fiquem distantes dos meliponários de outras abelhas. A mesma publicação sugere cerca de 1.500 metros entre meliponários, considerando que o raio de voo das abelhas sem ferrão varia de 120 a 2.500 metros conforme a espécie.

O mel

A tubuna produz mel, pólen e própolis, e em algumas regiões é criada com fins comerciais. O mel é líquido e ácido, como o de outras abelhas sem ferrão, com sabor que acompanha a florada local. A produção varia muito com região, força da colônia e manejo, e há pouca informação técnica consolidada para a espécie.

Na colheita, use seringa ou bomba de sucção, retire mel só de potes fechados e trabalhe com proteção para a cabeça, porque a colônia reage à abertura. O mel com muita água precisa de refrigeração ou desumidificação para não fermentar.

Como capturar com isca

A tubuna captura bem em ninho-isca, desde que o recipiente seja grande. Abelhas do gênero Scaptotrigona se desenvolvem melhor em iscas de 5 litros ou mais e tendem a formar enxames mais estáveis depois da transferência. Para ela, o mais indicado é a isca de galão plástico, de 5 a 10 litros, ou uma caixa-isca de madeira.

O preparo segue o padrão: recipiente escuro, isolado com jornal ou papelão, protegido por saco plástico preto, com atrativo de álcool, própolis e cerume por dentro. A isca deve ficar em árvore grossa, em local sombreado e próximo de florada. Depois da captura, aguarde cerca de 30 dias antes de transferir para a caixa definitiva.

Como e quando dividir

Divida colônias fortes na época de florada, com vários discos de cria e boa reserva de alimento. Discos de cria nova e nascente, potes de alimento e cerume vão para a caixa nova, que ocupa o lugar de uma das colônias antigas. Como as rainhas nascem de células reais, confira se há células reais nos discos levados.

Por ser defensiva, a divisão da tubuna é mais trabalhosa que a de espécies mansas. Faça em dia de tempo bom, com a colônia em plena atividade, e mantenha a caixa nova bem vedada nos primeiros dias. No Beeya, a divisão fica registrada na genealogia, com o método usado e o acompanhamento pós-divisão.

Pragas e problemas

Por ser populosa e defensiva, a tubuna sofre menos com invasores que espécies pequenas, mas forídeos, formigas e a mosca Hermetia illucens ainda atacam colônias enfraquecidas. Manter a colônia forte e retirar potes de pólen abertos segue sendo a principal prevenção.

Um risco que merece atenção são os agrotóxicos. Um estudo com larvas de Scaptotrigona bipunctata expostas a um inseticida organofosforado mostrou operárias adultas mais leves, menores e com deformações. Em áreas agrícolas, conhecer o calendário de pulverização dos vizinhos ajuda a proteger o meliponário.

Referências

Dúvidas frequentes

A tubuna é perigosa?

Não oferece risco sério, porque não tem ferrão funcional. Mas é defensiva: quando a colônia é aberta, as operárias mordem e se enroscam no cabelo. Manejar com calma e com proteção para a cabeça ajuda.

Qual isca usar para capturar tubuna?

Iscas de 5 litros ou mais. Abelhas do gênero Scaptotrigona se desenvolvem melhor em recipientes grandes e ficam mais estáveis depois da transferência para a caixa.

Posso criar tubuna junto com jataí e mandaçaia?

Não é recomendado. Abelhas do gênero Scaptotrigona podem invadir e saquear colônias fracas. A Embrapa orienta manter meliponários dessas espécies afastados dos de outras abelhas.

Tubuna e mandaguari são a mesma abelha?

São do mesmo gênero, mas espécies diferentes. A tubuna é a Scaptotrigona bipunctata; o nome mandaguari costuma ser usado para a Scaptotrigona depilis, embora os nomes populares se misturem conforme a região.

Créditos das imagens

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