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Abelha arapuá: por que ela danifica flores e frutos

A arapuá é uma abelha sem ferrão preta, muito populosa e defensiva. Poliniza muitas plantas, mas também danifica flores, botões e frutos para coletar material de construção do ninho.

Atualizado em 21/09/2026Leitura de 3 min

Como esta página foi escrita: com apoio de inteligência artificial, a partir das fontes listadas no fim da página. Meliponicultura muda muito de região pra região: trate medidas, prazos e produção como ponto de partida, e confira com a sua experiência de campo. Achou algo errado? Avise a gente.

Resposta curta: a arapuá (Trigona spinipes), também chamada de irapuá ou abelha-cachorro, é uma abelha sem ferrão preta, de 5 a 7,5 mm, com colônias que podem chegar a 180 mil indivíduos. Constrói ninhos expostos com fibras vegetais e resina, e por isso corta flores, botões e frutos. É polinizadora de muitas plantas, mas pode ser praga em pomares.

Como reconhecer

A arapuá é uma abelha preta, brilhante, com mandíbulas desenvolvidas e asas transparentes, medindo cerca de 5 a 7,5 mm. É conhecida como arapuá, irapuá, irapuã ou abelha-cachorro, e ocorre em praticamente todo o Brasil: o levantamento de Pedro (2014) registra a espécie em 21 estados.

Arapuá (Trigona spinipes) registrada em campo

Registro de arapuá publicado no iNaturalist por Inacio Oliveira.

O ninho é a marca mais visível. Diferente da maioria das abelhas sem ferrão, que ocupam ocos, a arapuá constrói ninhos que parecem uma grande massa escura presa a galhos de árvores, e também usa madeira oca e cupinzeiros abandonados. O nome vem do tupi e faz referência ao formato arredondado do ninho. As colônias são muito populosas, podendo chegar a cerca de 180 mil indivíduos segundo registro clássico de Kerr.

Por que ela danifica plantas

Para construir o ninho, a arapuá usa filamentos de fibras vegetais aglutinados com resinas. Para coletar esse material, as operárias cortam com as mandíbulas casca, folhas, flores e até frutos. Elas também abrem furos em botões florais para roubar néctar e mordiscam anteras para acessar o pólen, às vezes sem realizar a polinização.

Esse comportamento causa perdas em vários cultivos. Estudos da Embrapa e de universidades registram danos em maracujazeiro, manga, pitaia e na flor copo-de-leite, entre outras culturas. No Submédio do Vale do São Francisco, produtores apontaram ataques da arapuá em 13 de 17 plantas cultivadas.

Em maracujazeiro, um estudo encontrou correlação quase perfeita entre o número médio de arapuás nas flores e a porcentagem de dano, com as abelhas atraídas pelas flores e não por botões, frutos ou folhas.

Polinizadora e praga ao mesmo tempo

A arapuá é considerada uma forrageadora generalista e polinizadora efetiva de diversas plantas nativas e cultivadas. Por isso, a recomendação técnica é entender o comportamento para reduzir os danos em cultivos sensíveis, sem tratar a espécie apenas como praga. Pesquisas testam, por exemplo, repelentes à base de neem em áreas onde os danos são relevantes.

Relação com o meliponário

A Embrapa lista a arapuá entre as abelhas que podem saquear colônias e recomenda não instalar meliponários perto dos seus ninhos. Espécies de Trigona podem, com menor frequência, invadir e saquear ninhos de outras abelhas e os alimentadores coletivos usados em apiários e meliponários. Na disputa por recursos, pode haver morte de abelhas dos dois lados.

As medidas práticas são as mesmas usadas contra outras saqueadoras: colônias fortes, caixas bem vedadas, entradas estreitas e nada de mel exposto ou alimentador coletivo perto das caixas. Veja também o guia sobre a abelha-limão.

Referências

Dúvidas frequentes

A arapuá ferroa?

Não. Não tem ferrão funcional, mas é muito defensiva: ataca com mordidas e se prende ao cabelo quando o ninho é perturbado.

Por que a arapuá estraga flores e frutos?

Porque usa fibras vegetais e resinas na construção do ninho. Para coletar esse material, corta casca, folhas, flores e até frutos com as mandíbulas. Também abre furos em botões para roubar néctar.

A arapuá é só praga?

Não. É uma forrageadora generalista e polinizadora efetiva de diversas plantas. O problema aparece em cultivos específicos, como maracujá, manga e pitaia, quando as colônias estão próximas.

A arapuá ataca colônias do meliponário?

Pode acontecer, com menor frequência. Espécies de Trigona podem invadir e saquear ninhos de outras abelhas e alimentadores coletivos.

Créditos das imagens

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